segunda-feira, 15 de julho de 2013

Saudade de ser lagarta





















Não aguento quando me dizem
que eu deveria me orgulhar
de um dia ter acordado
linda e podendo voar.

Eu não queria essas asas
por que, e para quem, eu preciso ser bonita?
nunca passei sequer um batom, nem nada
odeio estar colorida.

Não vou me adaptar
a ser só uma beleza que voa
eu tenho muito mais a falar
não é um simples voo que resume a minha pessoa.

Até de ser casulo eu gostava
eu tinha um papel crítico no mundo
eu era o nada que em si permanece
eu era o infinito calmo de um segundo.

Dentro de mim eu não me sinto linda
minha alma, hoje, não voa graciosa
eu só sou o por vir do meu "ainda"
e ainda posso ser danosa.

Saudade eu tenho é de ser lagarta
e de me arrastar, feia, como queriam, eu não ligo
mas eu era eu mesma na minha batalha
e era bem mais feliz comigo.

Tinha as minhas angústias, meu sonhos
tinha meus limites, minhas impossibilidades
não me etiquetavam, nem me estigmatizavam
e a minha imaginação voava bem mais à vontade.


André Vargas

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